Quem Somos Nós:

O Coletivo de Educação Popular Jacuba se propõe a construir coletivamente e desenvolver um espaço de organização e participação comunitária com foco na transformação social ampla e emancipadora. Auxiliado por uma pedagogia com referencia no trabalhador, pretendemos propiciar um espaço educativo para o debate, a organização, a reflexão crítica e a luta política, que combata toda forma de exploração, opressão, dominação e alienação.

sábado, 25 de julho de 2009


sexta-feira, 24 de julho de 2009

HORTOCINE APRESENTA DIA 29 DE JULHO - A IDADE DA TERRA - Um Filme de Glauber Rocha



Data: 29 de julho - quarta-feira
Horário: 19h00
Local: OCA , na Rua Libério Rosa, n° 05, Núcleo Santa Izabel, Hortolândia/SP

CINEMA GRATUITO

APRESENTA:
A IDADE DA TERRA
Um filme de Glauber Rocha

SINOPSE DO AUTOR:
“O filme mostra um Cristo-Pescador, o Cristo interpretado pelo Jece Valadão; um Cristo-Negro, interpretado por Antônio Pitanga; mostra o Cristo que é o conquistador português, Dom Sebastião, interpretado por Tarcísio Meira; e mostra o Cristo Guerreiro-Ogum de Lampião, interpretado pelo Geraldo Del Rey. Quer dizer, os quatro Cavaleiros do Apocalipse que ressuscitam o Cristo no Terceiro Mundo, recontando o mito através dos quatro Evangelistas: Mateus, Marcos, Lucas e João, cuja identidade é revelada no filme quase como se fosse um Terceiro Testamento. E o filme assume um tom profético, realmente bíblico e religioso.”
Glauber Rocha
GLAUBER FALA :
Idade Da Terra (1980)
"Trata-se de um filme que joga no futuro do Brasil, por meio da arte nova, como se fosse Villa-Lobos, Portinari, Di Cavalcanti ou Picasso. O filme oferece uma sinfonia de sons e imagens ou uma anti-sinfonia que coloca os problemas fundamentais de fundo. A colocação do filme é uma só: é o meu retrato junto ao retrato do Brasil.
Esse filme estaria para o cinema talvez como um quadro de Picasso. Os críticos estão querendo uma pintura acadêmica, quando já estou dando uma pintura do futuro.
Na criação artística o maior empecilho é o medo. Os autores que criaram grandes obras na América Latina venceram o medo para não sucumbir ao terrorismo do complexo de inferioridade. Eu, inclusive, rompi este complexo no berro.
Eu não tenho medo de criar, se tiver engenho e arte vou em frente. É necessário não ser babaca, pois a babaquice é o maior inimigo do artista.
Arnaldo Carrilho me disse uma vez diante das ruínas de Pompéia (era um domingo entre janeiro e março de 1965) que Simon Bolívar subiu no Vesúvio e de lá meditou sobre a América Latina: daí partiu para sua ação política. Verdade ou mentira quero partir do vulcão".
Glauber Rocha


"É um filme que o espectador deverá assistir como se estivesse numa cama, numa festa, numa greve ou numa revolução. É um novo cinema, anti-literário e metateatral, que será gozado, e não visto e ouvido como o cinema que circula por aí. É um filme que fala das tentativas do Terceiro Mundo... fala do mundo em que vivemos. Não é para ser contado, só dar para ser visto. De Di Cavalcanti para cá eu rompi com o cinema teatral e ficcional."
COMENTÁRIOS
"Mosaico sinfônico. A Idade da Terra se insere solidamente dentro da tradição artística latino-americana. A proposta de aprisionar o espírito de uma nacionalidade numa só obra remete direto aos muralistas mexicanos. A imagem de Rivera - ou seria Siqueiros? - em cima de uma escada, pincel na mão, diante de uma superfície imensa que reduzia a bem pouco o tamanho do artista, compondo em figuras toda a história de seu povo evoca a de Glauber Rocha envolvido anos a fio nos quilômetros de fita que ele mesmo gerou na fadiga quixotesca (ou dantesca?) de contar seu país. O exacerbamento nacionalista de sua obra, despido agora de qualquer compromisso narrativo, encontra enfim seu estado puro. Como se não existisse a dimensão do tempo "só o real é eterno” - o filmemural dispõe seus blocos de significados espacialmente, numa estrutura atonal que avança por rupturas entre a Bahia, Brasília e Rio. Nascimento de Cristo, Cristo-povo e Cristo-Rei, Cristo guerreiro e Cristo profeta, o mundo sem Cristo e por toda a parte, Brahms, o anti-Cristo. Esta parábola, em si mesmo uma sucessão de parábolas, e disposta como num quadro de batalha em que há varias ações simultâneas e o olho passeia dentro dele, ordenando-as. (...)"
Deus e o Diabo na Idade da Terra em Transe, de Gustavo Dahl
em Jornal do Brasil
Rio de Janeiro, 25/nov./1980.

"Glauber Rocha, usualmente, é como Wagner: cuidado com o espectador sufocado. E os críticos de Veneza 80, que acabaram com "A Idade da Terra", certamente não subiram os degraus da escadinha que os teria colocado na altura, largura e profundidade do quadro. Não se olha Guernica colado ao canto esquerdo do quadro".
SYLVIE PIERRE (Libération, 1/4/82)
FRASES:
"A Idade da Terra" é um filme que o espectador deverá assistir como se estivesse numa cama, numa festa, numa greve ou numa revolução. É um novo cinema, antiliterário e metateatral.
GLAUBER ROCHA

"Ele se bateu contra o impossível, à impossibilidade de ser um grande cineasta do Terceiro Mundo, um grande cineasta negro".

"A Idade da Terra é uma impossibilidade grandiosa, uma travessia do mundo e do tempo, uma descoberta da América na contramão, um Encouraçado Potemkin negro, ou seja, informe, cheio de gestos e ritmado, anti-clássico ao extremo – um escarro de sangue na cara do cinema atual, dominado pela doçura ....."
Pascal Bonitzer, 22 de agosto de 1981

"Estranho, estranho filme, que faz com que seus filmes anteriores apareçam como exercícios comportados e pálidos."
Pascal Bonitzer
"Sou um artista coletivista que está aberto; um anti-artista. Sou uma pessoa do povo. Sou um camponês de Vitória da Conquista. “A Idade da Terra” seguirá o mesmo itinerário dos outros filmes, criará polêmica, será odiado, será adorado."
GLAUBER ROCHA

"...mesmo porque em matéria de linguagem cinematográfica, montagem, estrutura, foi tudo refeito, subvertido, reestruturado. É um estilo barroco, reconstrutivista, coisa muito nova que os brasileiros que viram o filme estão adorando."
GLAUBER ROCHA.

fonte: www.tempoglauber.com.br
Realização: O Corujão - Escola Livre de Filosofia - Centro de Educação Popular Jacuba - Organização Cultural e Ambiental

quinta-feira, 23 de julho de 2009

CARTA DE PRINCÍPIOS - CENTRO COMUNITÁRIO DE ARTE E CULTURA

“Quem Sabe Mais Luta Melhor”
Fórum Nacional de Monitores


O Centro Comunitário de Arte e Cultura é um espaço em construção, voltado à organização e a difusão do conhecimento humano acumulado historicamente com unidade e coerência, através da filosofia, da cultura, da arte, da política, da educação e da história.
Sendo a primeira iniciativa comunitária de participação popular voltada à arte e a cultura na região do jardim Rosolen, que nos últimos 30 anos impulsionou as lutas da classe trabalhadora no município. Da mesma forma, as condições atuais levam a luta e ao desenvolvimento de novos movimentos sociais, com isso propicia as condições para desenvolver a identidade espacial, ou seja, o ambiente de moradia ou convívio, levando a percepção das degradantes condições sócio-ambientais, criando uma demanda para ações que busquem melhorias nestas áreas, não somente para os seres humanos, mas também para as outras formas de vida. Todas essas considerações, principalmente a histórica, a social e a cultural dependem da emancipação política, que pode ser produzida pelo uso do método da práxis, com a orientação da reflexão filosófica.
Sendo assim, o Centro Comunitário de Arte e Cultura será referenciado pelos seguintes princípios: (1) A compreensão da cultura em seu sentido antropológico, permeado pela construção histórica da humanidade. (2) Se constitui como um espaço de liberdade para o convívio social. (3) A Educação Popular como instrumento de transformação da consciência de mulheres e homens de forma crítica sobre as relações sociais em que vivemos. (4) A organização, gestão e participação devem ser de forma horizontal, tendo como autoridade as decisões coletivas voltadas para as perspectivas dos trabalhadores. (5) Arte como expressão da síntese contraditória da consciência política. (6) Propiciar a reflexão crítica da sociedade e do espaço de vivência comunitária. (7) A compreensão da política como a arte de transformar a realidade objetiva rumo à emancipação do sujeito histórico.
1 – A compreensão da cultura em seu sentido antropológico, permeado pela construção histórica da humanidade:
Esse espaço da comunidade e para a comunidade, tem como objetivo difundir a cultura como uma composição de múltiplas ambiências: a família, a região, a língua, a classe social, a religião, a escola e o trabalho. Compreendendo a cultura de uma época como o resultado do embate e da interação das concepções de mundo, das experiências e das práticas sociais que perpassam essas diferentes ambiências culturais historicamente construídas de acordo com o modo de produção social da vida. Sendo o sentido antropológico as diferentes soluções frente à reprodução, manutenção da vida e de sua manifestação na consciência social. Em suma, toda a produção material e imaterial dos seres humanos, como invenção coletiva de valores, comportamentos, idéias e símbolos.
2 – Se constitui como um espaço de liberdade para o convívio social:
A atual relação social capitalista constituída de classes sociais antagônicas resulta em uma cultura que produz e reproduz a desigualdade social. Isso se manifesta na ocupação do espaço de forma conflituosa, ou seja, o conflito é a disputa pelo poder, levando a supressão da liberdade pela concorrência entre as forças antagônicas.
Assim sendo, propiciaremos condições para um espaço de liberdade de reflexão, de diálogo e de proponência. Não sendo um espaço hierarquizado e competitivo, e sim um espaço de convivência com diversas visões de mundo.
3 – A Educação Popular como instrumento de transformação da consciência de mulheres e homens de forma crítica sobre as relações sociais em que vivemos:
A educação popular sintetiza esse momento de práxis entre a filosofia, a política e a cultura, sendo um instrumento para formar a consciência de mulheres e homens de forma crítica sobre as relações sociais em que vivemos, buscando resgatar a história de nossa sociedade e suas contradições de hoje, de ontem e o seu vir a ser.
4 – A organização, gestão e participação devem ser de forma horizontal, tendo como autoridade as decisões coletivas voltadas para as perspectivas dos trabalhadores:

Vincular as ações do Centro Comunitário de Arte e Cultura em todos seus aspectos de organização e participação pela comunidade. A proposta é que a comunidade não seja uma mera consumidora de um serviço público ou uma produção artística, mas seja responsável e protagonista de um espaço organizado de forma horizontal, tendo como autoridade as decisões coletivas.
O Centro Comunitário de Arte e Cultura poderá ser dividido em comissões por áreas específicas, como por exemplo: manutenção, projetos, eventos, etc. Que podem ser temporárias ou permanentes, a depender das necessidades. Assim, a gestão do Centro Comunitário de Arte e Cultura se dará pelas comissões e assembléias, que decidem as prioridades e demandas. Inclui-se nesse processo a formação dos participantes para atuarem com qualidade em tais instâncias. Apenas em tais instâncias será concedido alterações na gestão e organização do Centro Comunitário de Arte e Cultura, desde que não destruam o modo coletivo, horizontal, crítico e emancipatório. A participação deve ser composta pela comunidade, com a inclusão de artistas, intelectuais e demais pessoas que tenham interesse pelo trabalho coletivo.
5 – Arte como expressão da síntese contraditória da consciência política:
Entendendo a arte como expressão da cultura e a cultura como síntese contraditória, pois apresenta diferentes formas de manifestação da humanidade dentro de uma mesma sociedade, que se associa a teoria e a prática política, seja no discurso ou nas formas de decisão. Com isso a arte também expressa a consciência sócio-política.
6 – Propiciar a reflexão crítica da sociedade e do espaço de vivência comunitária:
Todos somos filósofos, pois no interior de nossas consciências temos uma concepção de mundo fragmentada e desarticulada. Muitas vezes expressamos o que há de mais avançado no conhecimento humano e o mais atrasado e retrógado ao mesmo tempo. A filosofia não é um ofício de iluminados trancados entre quatro paredes para a leitura do mundo. A filosofia deve ser difundida de maneira articulada e organizada para a comunidade, com a finalidade de atingir a necessária reflexão para desenvolver o senso crítico da comunidade participante desse espaço. Essa reflexão deve se desenvolver de maneira profunda e rigorosa para superar a superficialidade, a aparência em detrimento da essência e a alienação.
7 – A compreensão da política como a arte de transformar a realidade objetiva rumo a emancipação do sujeito histórico:
Sendo a filosofia atividade de estudo da relação dos homens com o mundo, a política é a arte do homem para transformar a realidade objetiva, logo, filosofia e política estão ligadas intrinsecamente enquanto práxis transformadora. Buscamos construir essa práxis junto a comunidade e possibilitar que a mesma se reconheça enquanto sujeito histórico, ou seja, que faz a sua própria história e a da sua sociedade, rumo a sua emancipação.

Hortolândia, 27 de junho de 2009.