Quem Somos Nós:

O Coletivo de Educação Popular Jacuba se propõe a construir coletivamente e desenvolver um espaço de organização e participação comunitária com foco na transformação social ampla e emancipadora. Auxiliado por uma pedagogia com referencia no trabalhador, pretendemos propiciar um espaço educativo para o debate, a organização, a reflexão crítica e a luta política, que combata toda forma de exploração, opressão, dominação e alienação.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Declarações do front Cultura da Comissão Organizadora do CAC (Centro de Arte e Cultura) de 27/07/2015



A luta pela dignidade. Quando polícia e cultura se encontram.

Há cerca de seis anos iniciou-se a construção do Centro de Arte e Cultura pela comunidade de Hortolândia. Com a ocupação de um espaço ocioso e abandonado por atividades culturais e formativas, nasceu uma proposta de Gestão Compartilhada da prefeitura com o Coletivo de Educação Popular Jacuba. Mas logo percebeu-se, pela timidez de sua divulgação e pelo parca manutenção do espaço, uma omissão por parte da secretária de cultura do município em relação a essa proposta, como também em relação a Carta de Princípios e a Comissão Organizadora  do CAC(COC).

O diálogo com a secretaria foi ficando cada vez mais difícil e as trocas de secretários de cultura determinaram alterações no uso do espaço. Até que em maio de 2014, a Comissão foi obrigada a fazer uma visita ao então secretário de cultura. Com a participação massiva da Comissão na reunião, houve o recuo das decisões arbitrárias da secretaria, sem que houvesse, no entanto, um agendamento  no qual pudesse se tratar dos problemas do CAC e do reconhecimento das demandas e legitimidade da gestão compartilhada.

Nesse ano, após a participação da Comissão na 3º Conferência Municipal de Cultura para principalmente, defender os interesses dos trabalhadores da cultura e da população atendida gratuitamente pelas atividades do CAC, houve novo conflito com a Secretaria de Cultura. Outro ataque, vindo agora de novo secretário, afrontou a Comissão Organizadora do espaço retirando a coordenadora que há seis anos atuava no espaço e colocando um coordenador sem o prévio conhecimento e consentimento da comunidade. Entendemos que essa ação feriu, essencialmente, o quarto item da Carta de Princípios, que define o caráter coletivo das decisões tomadas no e para o funcionamento do CAC.

Logo após o ocorrido, a comissão foi até a Secretaria de Cultura pedir satisfações por parte do “excelentíssimo” secretário, que se ausentou após ordenar tais medidas. A diretora da secretaria também se recusou a receber a comissão, restando a mediação a alguns representantes do governo, que nada esclareceram sobre a posição política da secretaria. Mesmo assim, um pedido de reunião com o secretário foi marcado para o dia 18 de julho de 2015 às 14 horas. Porém, mais uma vez, o secretário se ausentou, sem dar novamente a menor satisfação.

Apesar do descaso e falta de diálogo, na última reunião extraordinária da COC realizada dia 26 de julho, a comissão decidiu, mais uma vez, ir até a Secretária de Cultura de Hortolândia para nova tentativa de saber o motivo da arbitrariedade, das decisões autoritárias tomadas pelo secretário. Desta vez, além de se recusar a nos receber, o secretário tentou impedir a ida da comissão até a secretária e enviou sua secretária para mediar o conflito, enquanto fugia pelos fundos do prédio da secretária. Ao entrarmos na secretaria, constatamos sua covardia, deixando-nos a mercê de sua assessoria para agendar uma reunião sem data nem local definido. Sem paciência com espera, algumas companheiras iniciaram, como forma de protesto, uma velha canção popular, provocando atitudes agressivas por parte de alguns assessores.  Lamentavelmente, a Secretaria de Cultura requisitou a presença da guarda municipal para conduzir a comissão para fora do prédio.

Entendemos que a resposta foi dada! A solução dos conflitos da cultura no município de Hortolândia, por parte do secretário tornou-se caso de polícia.

Contudo declaramos que estamos e sempre estivemos abertos ao diálogo, respeitando os acordos estabelecidos nesta denominada “Gestão Compartilhada” através de nossa histórica parceria e principalmente, através da Carta de Princípios.

No entanto, declaramos que não aceitaremos perseguições políticas, injúrias, ameaças a funcionários comissionados ou efetivos, punições a trabalhadores da cultura e trabalhadores em geral. Se o atual governo se afastou, abandonou ou mudou seus princípios, ou seja, abandonou os interesses dos trabalhadores e da população para defender os interesses do capital e seus agentes, nós permanecemos firmes aos nossos princípios, denunciando  e lutando contra quaisquer atos autoritários.
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Com todo este retrocesso, cabe à Comissão Organizadora do CAC reforçar aquilo pelo qual lutamos:

Construímos, defendemos e incentivamos uma organização coletiva, horizontal e crítica para o Centro de Arte e Cultura de Hortolândia. Aqui os frequentadores (ou seja, os trabalhadores do entorno) seus país, filhos e avós são os sujeitos que planejam, avaliam, acolhem, criticam, executam e fazem a manutenção deste lugar.


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