Quem Somos Nós:

O Coletivo de Educação Popular Jacuba se propõe a construir coletivamente e desenvolver um espaço de organização e participação comunitária com foco na transformação social ampla e emancipadora. Auxiliado por uma pedagogia com referencia no trabalhador, pretendemos propiciar um espaço educativo para o debate, a organização, a reflexão crítica e a luta política, que combata toda forma de exploração, opressão, dominação e alienação.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Companheiras(os),
Nós somos uma comunidade de trabalhadores que convivem num mesmo espaço, reconhecido como um espaço público. Este trata-se do CENTRO DE ARTE E CULTURA, o CAC, que é fruto do trabalho coletivo de seis anos organizando atividades culturais para a população de Hortolândia. Um coletivo composto por trabalhadores dos serviços públicos, tanto concursados quanto contratados: atendentes, assistentes, auxiliares, zeladores e professores.
Há também os trabalhadores voluntários, entre estes artistas-professores, artistaspedreiros, faxineiros-coordenadores.
Diferentes e iguais habilidades para objetivos em comum: construir um espaço de autonomia com todos aqueles que frequentam, principalmente os trabalhadores, que podem e devem participar das decisões, execuções e avaliações das ações. Estes tornam-se sujeitos responsáveis, juntos, livremente associados para produzir o bem-estar da comunidade, nosso lugar, onde está cravada nossa história por meio de nosso suor, de nossos sonhos, e principalmente, da satisfação de nossas necessidades.
Por tudo isso, desde o início do CAC, construímos uma “CARTA DE PRINCÍPIOS”, para garantir o modo coletivo, horizontal, ativo e crítico da participação. Tanto que no 4º item desta Carta, a forma descrita de organização é a composição de uma comissão organizadora permanente, hoje conhecida como COC, uma conquista coerente com nossos princípios.
Porém, infelizmente, nestes seis anos, a existência da Comissão Organizadora do CAC tem sido questionada ou não foi sequer reconhecida por funcionários da prefeitura. Estes, mesmo vestidos de trabalhadores dos serviços públicos, ignoram nossos objetivos, nossos princípios e principalmente nossa história.
Mesmo com essa falta de reconhecimento, temos nos esforçado para manter um diálogo, pois acreditamos que, esclarecidas as dificuldades é possivel realizar um trabalho coletivo, afinal, o objetivo deve ser o mesmo, gerir um espaço público de forma autônoma, pelos trabalhadores da cultura e com o suporte estrutural do poder público municipal. Esta complexidade não tira a legitimidade do funcionamento do espaço, mas reforça seu caráter de serviço público feito para e por trabalhadores. Afinal de contas, quem produz toda a riqueza deste que é um dos mais ricos municípios da RMC? Os políticos financiados por empresários ou os trabalhadores?
Com todas as dificuldades que existem, esta forma de organização e participação é o que temos de mais avançado e o que nos diferencia dos demais movimentos sociais. É também a prova concreta da melhoria e da eficiência do funcionamento dos serviços públicos quando tomamos para nós o que é nosso.
Nós sabemos que isso pode ser difícil de entender, mas também na vida, não é difícil quando vamos aprender algo novo? Por isso nos esforçamos, como educadores que somos, a ensinar a nossa história e nosso funcionamento, os nossos porquês e os nossos problemas. Para isso, realizamos reuniões quinzenais, grupos de estudos, formações, boletins e diversos materiais de divulgação. Isso sem falar das inúmeras tarefas, árduas e frequentemente só resolvidas por voluntários, que melhor devemos chamá-los de militantes, sujeitos das Comissão Organizadora do CAC (COC) e também trabalhadores da cultura (mesmo não sendo contratados para isso). Todos se propõem a entender e explicar a história do CAC e sua situação e funcionamento no acolhimento aos frequentadores deste lugar. A ignorância não pode, com tudo isto que foi demonstrado, ser usada como justificativa. É obrigação de todos buscar o conhecimento e a verdade, não entendem aqueles que não querem. Por outro lado, há a dificuldade da velha política brasileira em aceitar a vontade do trabalhador, pois a máquina do estado funciona para explorar e oprimir. Enquanto isso, nós trabalhamos, para subverter lutamos para subverter esta lógica, com vontade, coragem e principalmente interesse nas coisas do trabalhador, da nossa classe.
Sabe-se que é bem mais fácil ser pelego e ignorante para com a classe trabalhadora, pois, para saber e defender as coisas do trabalhador, é preciso ser mais que companheiro, é preciso rejeitar a atitude do patrão e de qualquer governo que age como e para os patrões.
É preciso abandonar a inércia que nos prende em ver as coisas pelo viés da burguesia, da mesquinharia, do egoísmo e do preconceito. É preciso reconhecer nossa própria ignorância e o quanto ainda temos a aprender. É preciso sair da política pequena e podre, é preciso se livrar do pequeno-burguês dentro e fora de nós e, ao invés disto, reconhecer, legitimar e contribuir para com as organizações de nossa classe. Particularmente, reconhecer os trabalhadores da cultura presentes e atuantes na Comissão Organizadora do CAC.
Lutamos mais intensamente desde julho de 2015, para a resolução de problemas criados pela Prefeitura e a Secretaria de Cultura que tentaram paralizar e deslegitimar as atividades da COC e da organização dos trabalhadores no CAC. Até agora, apesar das promessas, a secretaria de cultura tem mantido uma postura conflituosa, de dificuldade de diálogo, descaso com os serviços oferecidos e não reconhecimento da Comissão. Passamos por um processo de luta para reafirmar nossos princípios e estamos sendo apoiados por muitos movimentos sociais da região e principalmente pela população do entorno. Mas as principais pautas de reivindicação da Comissão, assim como o controle e hostilização cotidiana de seus membros não se resolveram.
É fundamental a contribuição e compreensão de todos os trabalhadores e frequentadores do CAC para que o governo cumpra com os compromissos firmados e principalmente para mantermos e ampliarmos nosso trabalho. Lutaremos com todas as nossas forças para que o CAC continue sendo organizado e coordenado pelo coletivo dos trabalhadores.

Novembro de 2015
Comissão Organizadora do Centro de Arte e Cultura
Hortolândia/SP