Quem Somos Nós:

O Coletivo de Educação Popular Jacuba se propõe a construir coletivamente e desenvolver um espaço de organização e participação comunitária com foco na transformação social ampla e emancipadora. Auxiliado por uma pedagogia com referencia no trabalhador, pretendemos propiciar um espaço educativo para o debate, a organização, a reflexão crítica e a luta política, que combata toda forma de exploração, opressão, dominação e alienação.

quinta-feira, 10 de março de 2016

PSEUDOEMPRESÁRIO (ASPIRANTE A CAPITALISTA) DA CULTURA E DA FÉ



Eles procuram se disfarçar, mas um olhar atento e um pensamento crítico os revelam como vampiros do trabalhador.
O sistema capitalista segue firme e forte, sempre produzindo conflitos, principalmente a luta de classes, a guerra entre o Capital e o trabalho, burgueses contra proletários.
Em meio a este conflito permanente, ocorrem periodicamente crises econômicas e a cada  crise o Capital procura constituir novos mercados e também novas mercadorias, especialmente no Brasil, vemos a ascensão de duas modalidades que comumente se juntam: o mercado cultural e o da fé, como a religião é um dos elementos da cultura, podemos considerar ambos como um mesmo mercado, o mercado da cultura.
Como toda mercadoria, este é produto do trabalho dos operários, no caso, operários da arte e da cultura, seja na forma de apresentação, espetáculos, ornamentos, organização, vivências culturais (culinária, artesanato, dança, ritos religiosos, etc.), aulas, oficinas ou cursos.
Ocorre que neste mercado em expansão, cada vez mais  estão se associando elementos novos: os movimentos sociais, incluindo os religiosos, ou seja, é associado à mercadoria um aspecto a mais, um outro valor agregado: a “causa social”. Assim, ao adquirir estes produtos você está contribuindo com determinada causa social, a luta pela preservação do patrimônio histórico, a luta pela preservação da fé cristã ou fé de qualquer outra crença, a luta pela arte, seja cênica ou de rua. Também se relacionam aspectos éticos como a “economia solidária”, a inclusão social que também pode ser traduzida em inclusão no mercado capitalista, inclusão tanto como empresário ou enquanto trabalhador, ou ainda os dois ao mesmo tempo como é o caso dos ditos “micro empreendedores individuais”. A verdadeira “causa” destes movimentos, assim como a de todo burguês, é o lucro!
Na verdade, são novas e velhas formas de exploração dos trabalhadores, a velha forma de esconder o caráter de classe. A nova forma é sobre o uso do viés da arte, da assistência social ou da fé, para destruir a identidade de classe destes trabalhadores, assim como ocorre nas empresas tradicionais, em que se procura apagar qualquer identidade da classe proletária ao usar termos como colaboradores ou apoiadores, da mesma forma com a ideia equivocada de que artistas não são trabalhadores.
Em tempos de crise econômica ou mesmo para ampliar seus negócios, os pseudoempresários não têm nenhum problema de consciência ao afirmar que o Estado não deve intervir nas práticas dos movimentos culturais, mas fazem tudo o que for possível para arrancar o máximo de recursos públicos, um belo exemplo de incoerência entre o que se diz e o que se faz! Isto ocorre principalmente através do repasse de verbas para prestação de serviço e contratação de trabalhadores.
Em muitos casos estas associações, também denominadas ONG’s (Organizações não governamentais) funcionam como uma forma de terceirização e quando associados ao Estado contribuem para uma espécie de privatização dos serviços públicos e precarização das condições de trabalho. Aumentam os lucros precarizando os serviços oferecidos à população ao mesmo tempo em que se pagam baixos salários e oferecem péssimas condições de trabalho para os proletários da cultura.
Outro aspecto que chama a atenção é o caráter apelativo, diferencial, destas mercadorias, pois assim como é próprio do capitalismo, os trabalhadores pagam para consumir os produtos culturais que são frutos de uma cultura que já é sua, feita por ele e por suas gerações passadas, isso é alienação - traduzindo em palavras mais brutas – pois, explorando a história e a cultura do trabalhador, assim como sua miséria e sua fé e utilizando-se de argumentos de aspecto emocional e solidários, vende-se a cultura e garante-se a ignorância do proletariado.
É preciso, contudo, diferenciar os artesões que vivem de fato da venda de seu trabalho, sujeitos cada vez mais raros em nossa sociedade e movimentos que se utilizam da venda de produtos para subsidiar ações contra o sistema capitalista – o que não é o caso dos vampiros que se vestem das mais dignas causas para sugar o sangue do trabalhador sem que este se perceba, pois, a confusão, a ignorância e o disfarce são suas principais armas.

Coletivo de Educação Popular Jacuba e Comissão Organizadora do CAC

Hortolândia, 10 de março de 2016.

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